
O que a pesquisa encontrou, em números
Uma análise de 4.325 alimentos processados, distribuídos em 12 categorias, mostrou que apenas cerca de 13% traziam alegação de proteína no rótulo. Essas alegações estavam concentradas: 68,2% dos produtos classificados como carnes à base de plantas tinham declaração de proteína; barras energéticas e de proteína apareciam em 35,3%; e substitutos de iogurte ou sobremesas lácteas, em 21,3%.
No conjunto, 60,4% desses produtos com alegação de proteína estavam fortificados com proteína adicional. A fortificação foi especialmente comum em barras e em carnes vegetais — em torno de 90% desses produtos eram fortificados — enquanto substitutos do leite e de iogurte/sobremesas lácteas tiveram as menores taxas (aproximadamente 7,9% e 3,3%).
Quanto à origem da proteína adicionada, proteínas vegetais foram usadas com mais frequência (41,7%) do que proteínas de origem animal (25,9%). A proteína vegetal mais citada nos ingredientes foi o glúten, seguida por proteínas do leite e da soja.
Qualidade nutricional: sinais de alerta
Usando um modelo de perfil nutricional para classificar a salubridade, cerca de 90,8% dos produtos com alegação de proteína foram rotulados como “menos saudáveis”. Mais da metade apresentava níveis altos de gordura e de sódio. Cerca de 1 em cada 4 itens tinha alto teor de açúcar livre e de gordura saturada, e 1 em cada 5 continha adoçantes.
Comparados com alimentos sem alegação de proteína, os produtos com essa declaração apresentaram 17% mais itens classificados como “menos saudáveis”. As porcentagens de alimentos com níveis altos de gordura, sódio ou adoçantes também foram maiores entre os produtos com alegação de proteína — embora as proporções de alto teor de açúcar livre e de gordura saturada fossem mais baixas entre esses itens.
Por que tantos produtos “proteicos” acabam sendo pouco saudáveis
Existem duas práticas comuns por trás disso. A primeira é a fortificação: fabricantes adicionam proteínas isoladas para poder rotular o produto como “rico em proteína”, mas mantêm receitas processadas que incluem gorduras, sódio e aditivos para sabor e textura. A segunda é o posicionamento de mercado: barras, carnes vegetais e substitutos processados são formulados para ter apelo prático e sensorial, e isso frequentemente passa por ajustes que elevam sódio, gordura ou adoçantes.
Outro detalhe prático: “proteína” no rótulo nem sempre significa a mesma coisa. Muitas vezes vem de glúten (proteína do trigo), de isolados vegetais ou de proteína do leite — cada fonte tem perfil nutricional distinto e diferentes implicações para quem tem intolerâncias ou busca menor processamento.
Como escolher na prática — checklist rápido antes de colocar no carrinho
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Leia a tabela nutricional por porção: confira quantos gramas de proteína há e compare com as calorias. Se a proteína for baixa em relação às calorias, a alegação pode ser só marketing.
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Cheque a lista de ingredientes: procure termos como “isolado de proteína de soja”, “proteína do leite” ou “glúten” para saber de onde vem a proteína adicionada.
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Observe sódio e gorduras: o estudo mostrou que mais da metade desses produtos tem teor alto desses nutrientes — fique atento, especialmente em carnes vegetais e barras.
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Verifique adoçantes: cerca de 1 em cada 5 produtos com alegação de proteína continha adoçante na fórmula. Isso pode interessar se você evita esses componentes.
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Compare categorias: barras e carnes vegetais são as que mais trazem fortificação (por volta de 90%); substitutos de leite e iogurte costumam ter muito menos fortificação.
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Prefira opções minimamente processadas quando possível — ou use produtos processados como complemento, não base da alimentação.
Quando vale a pena escolher um produto proteico pronto
Produtos com proteína adicionada podem ser práticos após um treino intenso, quando precisa de algo rápido e rico em proteína, ou para quem tem restrições alimentares específicas e busca alternativas vegetais. Mas mesmo nesses casos, compare rótulos: prefira um produto em que a proteína contribua de forma relevante para a porção e que não venha acompanhada de excesso de sódio, gorduras ou adoçantes.
Resumo e atitude prática
Ter “proteína” estampada no rótulo não é garantia de saudabilidade. Os números mostram que grande parte desses produtos é menos saudável por conta de gorduras, sódio e aditivos. A atitude mais prática: ler o rótulo e os ingredientes com olhar crítico e tratar essas opções como complementares — não automáticas — à sua seleção de lanches e refeições.
